sexta-feira, agosto 27, 2004

Regresso Agosto.

Peço desculpa pela última vez, por ter adiado tanto esta partida.
Estou cansado, muito cansado. Talvez de ti, de certeza de mim.
Vou-me embora, daqui parto, sem mais esperar, sem hesitar.
Infelizmente não me posso adiar mais, tenho de me expulsar.
Bem sei que talvez seja inútil, que a distancia aqui seja algo mais que uma medição física, mas mesmo assim sabendo, tenho de ir.
Se ao menos uma vez tivesses querido entender a beleza que existe no inútil.
Eu sim, sempre soube desde o início, que tudo é mais belo quando é inútil.
Por isso lutei, lutei, lutei, porque nem sempre se luta na esperança da vitória.
Peguei na arma das palavras e disparei sentimentos em todas as direcções, infelizmente nunca fui capaz de te atingir.
Por favor, não tenhas pena de mim e não chores, eu nunca tive.
A minha mãe nunca suportou este meu rosto de marido desertor e como sou filho único, nunca tive irmãs.
Por isso, tu foste a mulher da minha vida. Afinal, agora, só te posso agradecer.
Quem é essa gente que te rodeia?
Quantos são afinal?
Dezenas, centenas, milhares.
Conhece-vos a todos e a cada um, velhos adversários.
As vossas hipocrisias, os vossos eternos estúpidos compromissos, as vossas mentiras, a vossa mascarilha carnavalesca de felicidade que se põe e tira nas altas horas das festas de fim de semana, a vossa caricata existência.
Sabia perfeitamente que, no fim, me haverias de conseguir vencer.
Isso agora pouco importa.
Mas vós, fizeste questão de na vitória, quase tudo me retirar.
A ingenuidade, a esperança, o maravilhoso sorriso e até a utopia.
Nesta hora de desvio, apesar do vosso esmagador triunfo, digo-vos reconhecido finalmente, que uma única realidade nunca me conseguis-te roubar.
O meu estimado homem ridículo.