sexta-feira, setembro 24, 2004

1 Ano é um 1 Ano.

No dia 26 de Setembro, o blog “O Cão do Guedes” comemora o seu primeiro aniversário, umas vezes mais assíduo, outras nem tanto, afinal o que é um blog!
Decidi, nesta data comemorativa, nada escrever e fazer aqui uma singela homenagem ao magnífico blog “Kafkiano” e ao sempre bem disposto (ou quase sempre) e animado blog “Mel de Lama”, parceiros da primeira hora, nestas andanças.
Também uma referência particular aos blogs companheiros “Local e Blogal” e “À Deriva”.
Um cumprimento especial aos blogs que decidi, neste espaço, colocar uma ligação (link) e aos que ligaram (linkaram) para este.
Um forte abraço, a todos aqueles que perderam algum tempo a passear por aqui, durante este ano.
Vamos lá ver todos, se conseguimos chegar ao 2 Ano, com alguma imaginação…

quarta-feira, setembro 22, 2004

Vou-me embora Manuel.

Não adianta pedires para ficar, Manuel, vou-me embora, renasço e liberto-me desta obsessão, estás a ouvir, vou para sempre.
Agora que parto, facilmente encontrarás mais tempo para recordar os nossos dias jubilosos e tudo aquilo que me dizias sobre a temporalidade dos sentimentos.
Talvez, a partir de hoje, serás capaz, de mostrar algum arrependimento, por me ensinares que a vida é uma ridícula comédia, esbatida na cor, esburacada nas vestes, assente num palco de tábuas podres e por isso, deve ser experimentada a cada momento, sem muito apego afectivo.
Deslembras por acaso os fortes suspiros, o teu olhar ausente ensinando os meus ensejos, os momentos em que a tua palavra me aquecia o coração e eu em silêncio suplicava, para que, depois de mim, antes do futuro se abeirar, esta ilusão fosse eterna.
Agora será a tua vez de implorar o meu afecto.
Finalmente e como que magicamente um sopro de vento irá libertar a semente da terra e transportá-la daqui para outro lugar, onde aí sim, irá finalmente viver e dar mais colorido a um lindo campo de flores.
Deixou-te na solidão de uma noite longa, recordando-me inquieto e como sempre, em enervante silêncio.
Como poderia supor, que na tua imensa atormentada alegria, poderia existir uma manhã perdida, uma madrugada embriagada, um postar de tarde tão contraditório e um sentimento nocturno tão profundo, se nada de estético me dizes.
Ainda rememoras o que afirmaste friamente, quando pela primeira vez ameacei desamparar.
Em todas as primaveras, nascem lindas flores de múltiplas cores, se querer-mos colher só uma e escolher entre todas a mais bonita, acabamos por ficar sempre na dúvida, se escolhemos entre elas a mais bela ou se devíamos ter escolhido simplesmente uma outra.
Fica com os teus apregoados ideais racionais, agora transformados em palavras estrambóticas, em sons mudos que nada alcançam e que já ninguém entende nem suporta. Fica aí, apenas só.
Neste dia, nesta longa demora já de quietude e delicadeza, deixo-te vencer pelo teu desânimo e parto com uma única frustração, a de nunca ter versado, o teu talhe singular e o teu infinito amor, por mim.
Agora sim, está pronto, saio daqui e chego ao pé dele e digo-lhe isto, sem mudar uma vírgula.
Aqui vou.
- Então querida, querias dizer-me algo.
- Queria dizer-te que te amo muito.
- Eu também, amor.